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Melhores Discos de 2011 janeiro 25, 2012

Posted by Jan Balanco in Música.
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Certa vez um amigo escreveu em seu blog que as pessoas parassem de publicar listas de melhores do ano pois ninguém queria saber delas. Concordo plenamente. Com tantas listas feitas pelas mais diversas publicações mundo afora de novembro a fevereiro, ainda temos que ler a opinião dos amigos, colegas e vizinhos? Discordo plenamente. Graças a esse frenesi provocado pelas listas, não há momento no ano em que eu ouça mais música, pesquise e discuta sobre. E por isso eu não vou deixar de publicar a minha.

Em geral as listas de melhores sempre geram muita discussão, do tipo “Como não colocaram o disco X nessa lista?”. Isso acontece porque ninguém explicita os critérios utilizados na seleção. Por exemplo, sempre uma publicação inglesa privilegiará bandas inglesas, sempre uma publicação americana privilegiará bandas americanas, e não acho que propositadamente, mas porque é natural que ouçam mais música feita eu seu próprio país, e se identifiquem mais com esta. A lógica vale para as listas de jornalistas independentes e blogs mundo afora, em que num olhar mais atento é possível decifrar que a audição daquela pessoa durante o ano foi guiada por determinados selos, uma loja específica onde ela compra discos regularmente, ou um círculo de amizades característico. Todos estão sujeitos a esse tipo de influência, só que não o assumem publicamente ou não se dão conta do fato.

No meu caso, alguém mais entendido que observar a lista abaixo pode decifrar que sou um seguidor dos selos Sub Pop, Matador e Merge, e também que sou cliente da Insound – não tenho nenhum problema em “revelar” minhas fontes ou meus gostos. E por aí já é possível entender outra característica da minha lista, que é ser predominantemente indie, e praticamente não fazer concessões a grandes artistas, simplesmente porque na minha opinião a música que realmente interessa não costuma vir dessas figuras. Outro amigo comentava no fim do ano que qualquer lista que colocasse o “Angles” do Strokes entre os melhores era uma lista preguiçosa. Entendo o ponto de vista dele, e acredito que uma lista em que predominam medalhões não deve ser levada a sério pois não houve pesquisa em seu desenvolvimento. Por outro lado, obras muito boas não podem ser descartadas só por serem produção de grandes nomes. Em particular achei o “Angles” um ótimo disco, mas que muita gente resolveu criticar, afinal, a grande moda no mundo da música em 2011 foi falar mal do Strokes. Todo mundo resolveu cuspir no prato que comeu, e quem mais cuspisse ganhava mais pontos no ranking dos sabichões, mas na hora de assistir o show deles no Planeta Terra, estavam todos se estapeando por um ingresso… mas isso já é outro assunto. O mesmo vale para outros gêneros musicais, acho muito difícil classificar diferentes gêneros entre si, então prefiro fazer uma coisa só, dedicada, do que uma mistura de gêneros que não faça sentido. Mas as exceções sempre podem existir.

Outra característica de minha lista é que só classifico álbuns. EPs, coletâneas e discos ao vivos só entram na lista se forem absurdamente excepcionais. E só listo discos muito bons. Ou seja, discos que sejam perenes, que possam ser ouvidos daqui a 10 anos e continuem sendo grandes obras. Discos apenas “legais” ou “divertidos” não tem vez na minha lista principal. Prefiro fazer uma lista com poucos discos – ou não fazer lista nenhuma – do que fazer uma lista com critérios fracos. Isso também vale para os discos brasileiros, evito colocar algum nacional só para constar. Se houver internacionais melhores, os brasileiros ficam todos de fora, paciência. O meu interesse é pelo que vai ficar, não pelo que vai passar.

Eis os melhores disco do ano de 2011:

1. Fleet Foxes – Helplessness Blues

2011 foi um ano de muitos discos excelentes, infinitamente superior a 2010 no quesito música. Definir os 10 melhores discos do ano, principalmente os 5 primeiros, foi uma tarefa dificílima. Ouvi os melhores discos diversas vezes, fiz e refiz a lista, mas o primeiro lugar da lista, por mais que eu repensasse, sempre concluía que pertencia ao “Helplessness Blues”. Não há muito o que falar, é exatamente o esperávamos do Fleet Foxes, um segundo disco melhor, mais profundo e mais maduro que o debute “Fleet Foxes” de . Superior ao já excelente debute de 2008, “Helplessness Blues” foi um disco relativamente subestimado e que infelizmente não recebeu toda a atenção merecida. O escutei por inteiro mais de uma dezena de vezes e continua me surpreendendo a cada audição. Um disco para toda vida.

2. Girls – Father, Son, Holy Ghost!

O primeiro disco do Girls, “Album”, não me agradou muito. Ouvi diversas vezes mas não funcionou comigo. Por isso nem ia escutar o “Father, Son, Holy Ghost!”, mas com tantos elogios por aí resolvi dar uma chance e foi uma das grandes surpresas de 2011. Um disco simplesmente excelente e indispensável, uma verdadeira obra-prima que transita de maneira impecável por vários subgêneros do rock. Mal acredito que ele está apenas em segundo lugar nessa lista. Simplesmente brilhante e indispensável.

3. Fucked Up – David Comes to Life

O grande problema do hardcore enquanto gênero musical é a repetição. Décadas se passaram e tudo continua do mesmo jeito, como se nada houvesse acontecido. A linha evolutiva do hardcore é uma reta, horizontal, composta por centenas de bandas iguais. Não que os gêneros precisem se reinventar, longe disso, mas neste caso, devido à histórica opção de priorizar a utilização da música enquanto meio de comunicação política e não enquanto meio de expressão artística, a música fica estagnada. O Fucked Up anda na contramão disso tudo, e alarga as fronteiras do hardcore experimentando principalmente com indie rock, e também com punk rock, post-hardcore, post-punk, e psicodelia. Se existe algo provocador na arte, é provocar um gênero por si só já estabelecido como provocador. Em “David Come to Life” a banda ousa a ponto de compor uma opera-rock hardcore, narrando a história do personagem David Eliade desde o seu nascimento. Mas, apesar de ser uma história cronologicamente linear, as 18 músicas que compõem os 78 minutos desse álbum duplo versam quase que em sua totalidade sobre o relacionamento amoroso entre David e Veronica, do momento em que se conhecem na fábrica de lâmpadas em que trabalhavam (daí a capa do disco ser duas lâmpadas juntas em forma de coração), até a separação e posterior não-superação do término, o que David remoe até o fim da vida, até as cortinas se fecharem e as luzes se acenderem. Seria então o amor a parte mais importante da vida?

4. M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

É raro encontrar grandes álbuns de música eletrônica. Isso porque é um gênero em que seus criadores em sua maioria são DJs e sua obra é focada na produção de dance tracks e remixes, e não na produção de álbuns. Claro que faço aqui uma generalização de uma cena muito maior, a qual não domino, e avalio como um ouvinte de música pop. Mas todo ano surge pelo menos um grande álbum em que predomina a música eletrônica, tendo como exemplo em anos recentes discos de Hot Chip, Justice, e acima de tudo, LCD Soundsystem. 2011 não foi exceção, e o disco eletrônico do ano foi a obra-prima “Hurry Up, We’re Dreaming” do desconhecido francês M83. O álbum duplo é construído como uma colagem de diversas músicas que, se podem aparentemente não demonstrar relação direta entre si, em conjunto são indispensáveis umas às outras e à unidade do álbum enquanto obra. Li em algum lugar que o disco foi inspirado pelo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, álbum duplo de 1995 do Smashing Pumpkins. Não sei se é verdade, mas faz todo o sentido, e ouvi-lo dessa forma o faz parecer uma bela homenagem. Construído como um grande disco pop, abarca influências das três décadas anteriores da música, de Talking Heads a Animal Collective, de maneira magistral.

5. Foo Fighters – Wasting Light

Tenho um grande preconceito com o Foo Fighters por achar que se tornou uma banda pop demais, trazendo para sua música aquela incômoda sonoridade radiofônica que, se em muito agrada o ouvinte comum, a mim provoca náuseas. Mas muita gente elogiou e eu resolvi ouvir. Odiei o disco na primeira audição, achei uma porcaria, e o abandonei. Até que no fim de 2011, enquanto estudava para elaborar essa lista, achei que não seria justo descartar o disco sem mais uma audição, e fui fisgado. Foi o disco certo na hora certa. “Wasting Light” é uma compilação de grandes músicas e não deve passar batido em suas audições, especialmente a seqüência que encerra o álbum com as faixas “I Should Have Know” e “Walk”. O Foo Fighters subiu em meu conceito. Em tempo, uma das coisas mais bacanas que aconteceram na música em 2011 foi o Foo Fighters ter escalado o Fucked Up como banda de abertura em seus shows em estádios na Austrália. Fantástico!

6. PJ Harvey – Let England Shake

PJ Harvey é uma daquelas artistas que eu sei que tem uma importante obra mas que por algum motivo eu nunca dei atenção. É um caso que demonstra a importância das listas de melhores do ano. Se este disco não estivesse figurando em várias listas, provavelmente eu não teria sabido que PJ Harvey havia lançado um novo álbum, não teria me interessado, e mais um ano se passaria sem que eu lhe desse a atenção que merece. “Let England Shake” é um álbum conceitual que tem como tema a Inglaterra, sua terra natal. São 12 hinos que versam sobre a guerra, e os sentimentos por ela provocados. Saudade, tristeza, solidão, arrependimento e pequenas alegrias vivenciadas nos são contadas por soldados ingleses sonhando com a volta para casa, ou um narrador em terceira pessoa. Gostaria de ter mais o que falar sobre esse disco, mas como humildemente assumi algumas linhas atrás, sou um iniciante na obra de PJ Harvey. Fica o convite a essa descoberta.

7. Arctic Monkeys – Suck It and See

Quem diria que aquela bandinha inglesa predestinada a “salvar o rock” em 2005 iria durar mais de um verão, e se tornar uma fábrica de ótimos discos? Desde o seu primeiro álbum, “Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not (2006), o Arctic Monkeys segue uma evolução gradual e natural, gravando discos cada vez melhores, amadurecendo, e se distanciando da obrigação de ficar bem na pista de dança. Alex Turner se revelou um grande compositor, fato duplamente provado em 2011 com o lançamento do EP solo “Submarine”, que indico logo abaixo. Perca o preconceito que te faz encaixar o Arctic Monkeys na lista de bandas adolescentes e ouça uma das bandas mais interessantes dos anos 2000 adentrar a década de 2010 com mais um álbum para ficar na história.

8. My Morning Jacket – Circuital

Não dá pra negar que o disco anterior do My Morning Jacket, “Evil Urges”, de 2008, foi um disco muito estranho. Seguiu a linha de inovação iniciada em “Z” (2005) e a levou por caminhos além do devido, passando do ponto, criando um álbum ótimo mas que quando analisado dentro da brilhante discografia da banda, não parece mais tão bom assim. Em seu novo disco, “Circuital”, a banda olha para trás, para época em que eram claramente discípulos de Neil Young, ao mesmo tempo em que seguem o caminho aberto por “Z”, experimentando e propondo novas sonoridades à sua música, às vezes até de modo mais ousado que em “Evil Urges”, mas dessa dessa vez acertando na medida. É um disco em todos os aspectos mais maduro, e que nos faz crer que o My Morning Jacket pode enfim ter encontrado unidade em seu som. Pelo menos até o seu próximo disco.

9. Lê Almeida – Mono Maçã

Estava no trabalho quando falei que minha lista de melhores do ano não teria nenhum disco brasileiro. Meus colegas me criticaram, e resolvi pesquisar mais. Lembrei desse disco que um amigo havia me passado por e-mail, eu baixei mas não ouvi. O fiz em dezembro, e me surpreendi muito. Lê Almeida, assim como eu, é um grande fã do Guided by Voices. Mas do que eu havia escutado dele anteriormente, me parecia sofrer de um problema que afeta algumas bandas brasileiras que exageram no uso do rótulo lo-fi. Explico melhor: Quando Guided by Voices, Pavement, e outras bandas dos anos 1990 gravaram seus maravilhosos discos com equipamento precário em porões, não o fizeram por opção estética, mas por falta de recursos. O “movimento” lo-fi não existiu, nem nunca quis ser um sub-genêro indie, foi algo que simplesmente aconteceu. Mas alguns artistas hoje insistem em emular aquela sonoridade, muitas vezes de maneira forçada, pois tenha certeza que se aquelas bandas surgissem hoje elas estariam gravando em computadores domésticos, e não em fitas cassete. E, geralmente, quando as citadas bandas brasileiras optam por tal radicalismo estético o colocam como fim, deixando para segundo plano a qualidade da obra. Se em algum momento Lê Almeida fez parte desse grupo, ele o superou em “Mono Maçã”, e marcou seu lugar na história da música brasileira com um disco excelente, um dos melhores que ouvi em 2011. Um álbum maravilhoso, que pouca gente vai escutar ou entender. Eu virei fã, não vejo a hora de ter uma grana sobrando para comprar o LP original e ficar ouvindo até o fim dos meus dias.

10. Yuck – Yuck

Pode se dizer que o Yuck é um equivalente gringo a Lê Almeida quando o assunto é se apropriar de sonoridade da década de 1990 e redescobri-las em novas composições na década de 2010. A diferença é que enquanto o brasileiro atualiza o lo-fi, os americanos revivem o indie rock e o shoegaze. A precisão do Yuck em emular o som de suas referências é tamanha que inicialmente pode parecer um pastiche. As músicas vão rolando e a cada novo trecho é acompanhado de uma sensação de deja vu: Built to Spill? Sonic Youth? Teenage Fanclub? Quando ouvi pela primeira vez, por indicação de uma amiga, adorei, como ela preveu que fosse acontecer, afinal tudo que eu mais gosto de escutar estava presente no disco. Mas logo comecei a achar que apesar de muito bom, era uma banda sem personalidade que não iria pra frente. Mas esse desprezo durou pouco tempo, voltei a escutar o disco e confirmei que o Yuck é uma banda excelente, e esse foi o disco de 2011 que mais ouvi em 2011. Uma grande estréia, que nos deixa ansiosíssimos esperando o que nos reserva o Yuck nos próximos anos.

Outros 15 grandes álbuns

2011 foi bom demais, então seguem mais 15 discos que marcaram esse ano e ninguém deveria deixar de ouvir:

  • Alex Turner – Submarine (EP)
  • Beastie Boys – Hot Sauce Committee Part 2
  • Bixiga70 – Bixiga70
  • Black Lips – Arabia Mountain
  • Bon Iver – Bon Iver
  • Bright Eyes – The People’s Key
  • Fabio Góes – O Destino Vestido de Noiva
  • Kurt Ville – Smoke Ring For My Halo
  • Low – C’mon
  • Mallu Magalhães – Pitanga
  • Real Estate – Days
  • Lifeguards – Waving at the Astronauts
  • The Rural Alberta Advantage – Departing
  • The Strokes – Angles
  • TV on the Radio – Nine Types of Light

5 discos muito bons, apenas

Aqui listo alguns discos de que gosto muito, mas que não reúnem qualidades suficientes para figurar numa lista de melhores. São, principalmente, garantia de bons momentos de diversão, pode carregar no seu MP3 player sem medo de ser feliz:

  • Beach Fossils – What a Pleasure (EP)
  • The Pains of Being Pure at Heart – Belong
  • Stephen Malkmus and the Jicks – Mirror Traffic
  • Telekinesis – 12 Desperate Lines
  • Times New Viking – Dancer Equired

O que eu não escutei ainda, ou ainda não escutei direito

Se tem algo que ninguém faz ao compilar uma lista de melhores do ano, além de explicitar os critérios usados na seleção, é assumir que não escutou todos os discos que gostaria de ter ouvido. Estou há muitos dias tentando publicar esta minha lista, mas sempre atrasava o fechamento para poder ouvir só mais um. Chegou num ponto que desisti, e para compensar, antes que alguém grite que faltou algo, tem esses aí embaixo que acredito que vou gostar muito quando conseguir escutar melhor, e que poderiam, talvez, estar nas listas lá de cima:

  • Cícero – Canções de Apartamento
  • The Decemberists – The King is Dead
  • Gal Costa – Recanto
  • Panda Bear – Tomboy
  • tUnE-yArDs – who kill
  • Vanguart – Boa Parte de Mim vai Embora

Todos os demais, se não estão por aqui é porque não achei tão bons assim, ou simplesmente não me interessaram. Que a música em 2012 siga a boa trilha de 2011!

Comentários»

1. Tarcísio Buenas. - fevereiro 12, 2012

Meu caro Jan,

curti a lista. Bem legal. Tem uns discos que não escutei ainda, mas tô muito afim; My Morning Jacket é um deles.

Pô, deixou o Stephen Malkmus de fora, hein!?
Que coisa feia – rs

Grande abraço,

Tarcísio Buenas.

2. Ramon - janeiro 28, 2012

Esse ano eu confesso que não me empolguei muito com bandas novas, principalmente as “indie”. Mas a lista tá bem interessante e muito criteriosa. Talvez eu arrisque ouvir alguns desses.

Desses só ouvir 3: Foo Fighters e Arctic Monkey que também entram na minha lista de melhores, e Yuck que achei apenas ok.

3. Penna - janeiro 25, 2012

Esse é um rapaz criterioso!heheheeh Nunca ouvi a maioria.Fucked Up me interessou. Vou procurar depois!Abraço

Jan Balanco - janeiro 28, 2012

Penna, vi em seu blog que pesquisa música do mundo, para te deixar mais interessado ainda, o Fucked Up é do Canadá!

Penna - fevereiro 23, 2012

Porreta! Já sei umas escutadas.É legal mesmo!


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