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SP-Arte para principiantes maio 10, 2012

Posted by Jan Balanco in Artes Visuais.
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Visão aérea da SP-Arte 2011

Começou ontem e vai até o próximo domingo, 12 de maio, a edição 2012 da mais importante feira de arte brasileira, a SP-Arte. A feira acontece no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera em São Paulo, e tem como expositores as mais importantes galerias do país. Em verdade, tomando por base a edição do ano passado, quase todas as galerias presentes são da cidade de São Paulo, algumas do Rio de Janeiro, uma de Salvador, uma do Recife, e não me recordo se outros estados se fizeram presentes com estandes.

Como qualquer feira comum, o foco da SP-Arte é criar um espaço temporário especial para que empresários de determinado ramo possam apresentar seus produtos ao seu mercado específico. Neste caso, os empresários são os galeristas, os produtos são as obras de arte expostas, e o mercado é o chamado mercado de arte.

Detalhe dos estande da SP-Arte 2011

Um dos mais aguardados momentos do calendário das artes visuais no Brasil, talvez apenas superado pela Bienal de Arte de São Paulo, a SP-Arte é uma visita indispensável a qualquer interessado por arte contemporânea, seja ou não colecionador. Se a sua importância é quase sempre medida pelo ponto de vista da economia da cultura à partir do volume de negócios que movimenta, sendo o principal termômetro do mercado, chamo atenção para outro aspecto, mais interessante.

A SP-Arte é a principal oportunidade para conferir o que de melhor está acontecendo na arte contemporânea brasileira. Afinal são os melhores galeristas apresentando as melhores obras de seus melhores artistas. Nessa intenção de apresentar a atual arte nacional, o panorama trazido pela feira em minha opinião supera o da Bienal (pois nesta a arte brasileira e estrangeira divide espaços) e o do Panorama da Arte Brasileira (pois é menor em dimensão e limitado por recortes curatoriais temáticos). Não quero com isso afirmar que a SP-Arte é um retrato fiel do campo das artes visuais no Brasil. Ela é um retrato da arte bem posicionada no mercado. Mas arrisco dizer que parte significativa dos melhores artistas dessa linguagem está aqui representada.

Galeria Choque Cultural na SP-Arte 2011

Visitar a SP-Arte é como visitar uma exposição de arte contemporânea do mais alto nível, digna de figurar nas salas de qualquer uma das mais prestigiadas instituições culturais do país. Das pinturas de Adriana Varejão, à fotografia de Claudio Edinger, ao graffiti de Titi Freak ou à escultura de Frans Krajcberg, provavelmente tudo estará lá. Além de dificilmente encontrar obras desses artistas expostas em museus e galerias públicas, que não possuem dinâmica burocrática e financeira para acompanhar o cenário artístico na velocidade necessária, apreciar essas obras em suas galerias de origem também é muito difícil. Conheço mais de duas dezenas de galerias da cidade de São Paulo, e posso afirmar com certeza que visitá-las não costuma ser dos melhores passeios, podendo até mesmo se constituir algumas vezes em situações desagradáveis. Em sua absoluta maioria as galerias de arte não se compreendem enquanto equipamento cultural, cujo acesso a todo tipo de público deveria ser incentivado para formação de seu público. São administradas como lojas de luxo que não gostam de abrir suas portas a visitantes de ocasião. As exceções existem, como a minha preferida Choque Cultural, a querida Paulo Darzé e a jovem Zipper, mas sem dúvida são casos raros. Com estandes abertos na feira, por mais que certos galeristas torçam os narizes para você, não há nada que possam fazer além de cara feia – e quem tem medo de careta?

Recomendo muitíssimo a visita à SP-Arte. É um evento de qualidade tal que vale uma viagem interestadual para comparecer. A feira cobra ingressos de R$ 30 por pessoa, que considero caríssimos para um projeto patrocinado com dinheiro público via Lei Rouanet. Como comparação, o museu mais caro de São Paulo, o MASP – que cobra mais que o dobro dos outros museus da cidade – tem ingressos a R$ 15, e o Louvre, em Paris a aproximadamente R$ 26 (€10). Porém neste ano uma dica fundamental para economizar é que ao adquirir ingressos do MIS-SP ou MAM-SP você ganha um convite para a feira. O ingresso do MIS custa R$ 5, e o do MAM está gratuito atualmente. Ou seja, antes de ir à feira bastar fazer uma visita ao MAM (que fica no prédio vizinho) e solicitar um convite na recepção.

Space Invaders em São Paulo agosto 3, 2011

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Foi com surpresa que encontrei uma obra do artista francês Invader no meu bairro semana passada. Será que era ele mesmo, ou um clone? Pesquisei e descobri que ele é um dos artistas estrangeiros participantes da exposição de arte urbana contemporânea De Dentro e De Fora, uma produção dos curadores de nossa galeria preferida, a Choque Cultural, no MASP, e há cerca de 1 mês está em São Paulo dando continuidade à sua “invasão mundial”. Com dicas de conhecidos pude registrar mais algumas invasões na região (passe o cursor sobre a foto para ver localização da obra):

UPDATE: Novas fotos (05/8)

UPDATE: Novas fotos (08/8)

Foto do Elevado Costa e Silva enviada por Juliana Garcia, do blog minhocão S.A.

A exposição De Dentro e De Fora abre ao público no próximo dia 17, e fica em cartaz até 23/12. Já pude visitar a montagem duas vezes, e posso garantir: Imperdível!

®Nova Contemporary Culture abril 29, 2011

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No próximo sábado, 30/4, acontece a abertura e encerramento da mostra ®Nova Contemporary Culture, na Fundação Casa França Brasil, no Rio de Janeiro. Explico: ®Nova é uma mostra work in progress, que começa em branco e vai sendo montada aos poucos, em ciclos semanais onde novos artistas aportam e vão deixando suas marcas nos espaços expositivos, palcos e telões. A cada nova visita, uma nova exposição é encontrada pelo visitante. A programação – em que predominam as artes visuais mas vai muito além destas – é formada pelo que a curadoria costuma chamar de nova arte contemporânea, e inclui pintura, escultura, instalação, perfomance, videoarte, música, reflexão e gastronomia. Arte predominantemente efêmera, jovem, vinda de todas as partes do mundo, e mixadas no Brasil. Mas qualquer descrição em termos usuais é pouco para ®Nova, recomendo uma visita ao site oficial para entender melhor do que se trata.

Essa é a terceira edição do projeto, que aconteceu primeiramente no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, e depois na cidade norte-americana de Los Angeles. Na primeira edição participei de um workshop de curadoria com o seu idealizador David Quilles Guilló, o que me levou a ser convidado a participar como Guest Curator (Curador Convidado) da atual edição. Uma curiosa coincidência é que essa não é a primeira vez que me envolvo com um projeto seu. Em junho de 2006, a convite da artista Andrea May, discotequei em um lançamento da Revista ROJO®, periódico espanhol de arte editad por David e que está nas origens de Nova. O evento integrava uma edição da saudosa Feira Hype, em Salvador.

A atual edição carioca da ®Nova, que teve início em 21 de março, acontece simultaneamente na Fundação Casa França Brasil e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Visitei a mostra na segunda semana e posso afirmar que está incrível, ainda melhor que a produzida em 2010 no MIS-SP. O programa é imperdível, mas se você não estiver no Rio, dá pra ter uma idéia do projeto através dos vídeos que registram os bastidores de ®Nova:

#1

#2

#3

#4

E se gostar da coisa, um documentário longo foi lançado pouco antes da edição carioca do projeto e disponibilizado online, batizado como Nova The  Film. Foi filmado durante a edição paulistana de ®Nova em 2010.

Only for the happy, the gifted, the curious and the open minded.

As Construções de Brasília janeiro 24, 2011

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Thomaz Farkas – Dia da Inauguração (1960) / Instituto Moreira Salles

Brasília é uma cidade de extremos: Ame ou odeie. Eu amo Brasília. Em poucos lugares do Brasil me sinto tão bem quanto na capital federal. A cidade é o auge da obra de Oscar Niemeyer, um dos maiores brasileiros da história; pode ser considerada o maior museu do país em área, e fica a céu aberto; é a representação máxima dos ideais da arquitetura modernista no mundo; é uma das três mais belas capitais brasileiras, junto a Salvador e Rio de Janeiro; é a concretização de um sonho urbanístico puro, a partir da terra nua, de uma geração intelectual que propôs um novo modelo de vida em cidade, e que mesmo com os seus erros demonstrados pelo futuro, cumpre permanente o seu papel de alimentar a discussão em torno da questão urbana. Ame ou odeie, ninguém fica imune a Brasília.

A exposição As Construções de Brasília é o mais completo e interessante documento a que já tive acesso sobre a cidade. A mostra entrou em cartaz em 2010 como uma celebração do cinquentenário da cidade, e é dividida em duas partes: a primeira com 140 registros fotográficos da construção da cidade e de seus primeiros anos, além de alguns documentos, obras gráficas e um vídeo; e a segunda com 60 obras de arte moderna e contemporânea inspiradas pela cidade.

A primeira parte da exposição, além de significativamente maior que a segunda, é também muito mais interessante. A curadoria do Instituto Moreira Salles traz excelentes fotografias de três grandes fotógrafos cuja obra integra o acervo do Instituto: Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas. Algumas das fotos expostas são conhecidas por estarem a venda na loja do IMS na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, ou por estarem a mostra em livros ou no site do Instituto, mas acredito que nunca em tal quantidade e qualidade curatorial. Dentre os três fotógrafos, o francês Marcel Gautherot é o meu preferido, pelo modo como usa a luz e sombra, e os vazios, deixando ainda mais monumental as obras de Niemeyer, e lhes conferindo nova alma. A arquitetura não é o único tema de Gautherot, Scheier e Farkas, que também fotografaram os candangos, os políticos, os primeiros moradores, a vida da cidade. São impressionantes as fotos da Sacolândia – bairro assim apelidados por suas residências serem barracos construídos com sacos de cimentos vazios -, as primeiras aulas na UNB, e o dia da inauguração da cidade.

A segunda parte da exposição, apesar de não se igualar em qualidade à primeira, é de extrema importância por proporcionar um momento de reflexão crítica após o longo passeio por história, beleza e sonhos. O que pretendia Brasília? O que se tornou? Valeu a pena? Será que é mesmo uma cidade tão diferente da nossa? O que Brasília tem a nos ensinar?

Destaco a vídeo-instalação Futuro do Pretérito de Rubens Mano, que consiste em vídeos de locais da cidade, em geral edificações, feitos em quadros estáticos como fotografias. Há alguns anos atrás presenciei técnica parecida em um trabalho exposto no Museu Nacional, em Brasília. Infelizmente não recordo o nome do artista. À época, a técnica era sabiamente descrita na exposição como videografia, nomenclatura que considero perfeita, uma mistura de vídeo e fotografia. As obras nos apresentam a uma relação de tempo/espaço que confronta a imagem que se tem da cidade no senso-comum de um local de intensa atividade e “corre-corre”. O tempo em Brasília também pode passar devagar, muito devagar. É praticamente uma redescoberta da cidade.

Resta pouco tempo para conferir esa excelente exposição, que fica em cartaz até 30/1 na galeria do Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, em São Paulo. Infelizmente não é permitido fotografar na galeria, mas caso não possa visitar presencialmente, alguns dos melhores momentos estão registrados na página especial desenvolvida pelo Instituto Moreira Salles em homenagem aos 50 anos da cidade.

E se você odeia Brasília, ou se não tem interesse por arquitetura, ou se ainda não se interessa pela história do Brasil recente, considere essa como uma excelente exposição de fotografia – uma das melhores que presenciei nos últimos tempos.

Galeria CAIXA Brasil novembro 15, 2010

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Carybé “Sem título” (1971)

Mais um longo tempo sem atualizar o blog, dessa vez por um motivo justo. Consegui um trabalho (que não me deixa quase nenhum tempo livre)!

Desde setembro estou trabalhando em período integral no projeto Galeria CAIXA Brasil, um projeto de circulação do acervo de obras de arte da Caixa Ecônomica Federal que está realizando a maior exposição de arte simultânea da história do Brasil. São cerca de 600 obras divididas entre todas as 27 capitais brasileiras. A exposição começou no último dia 5 e vai até 28/11. Tive o prazer de cuidar da abertura em Salvador, onde acompanhei a montagem de obras de Tarsila, Jenner, Tomie, Carybé e outros na Caixa Cultural Salvador. Uma experiência e tanto. Inesquecível.

Não deixem de visitar em suas cidades. Confira os locais da exposição no site oficial do projeto.

Além da relevância das obras expostas, a importância desse projeto se dá pelo caráter de ação de política cultural, consistindo na dinamização de parte de um acervo público de mais de 2 mil obras desconhecido da população brasileira. Uma ação similar em escala menor foi relatada aqui anteriormente, quando da exposição da Coleção Desenbanhia em Salvador. Confira o texto aqui.

Fotografia em alta agosto 21, 2010

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A fotografia está em alta no calendário paulistano de exposições, com boas mostras em cartaz, e alguns com encerramento em breve.

O SESC Pinheiros apresenta até amanhã a mostra Fora da Ordem: Fotografias da National Geographic, com 50 fotos realizadas para reportagens da revista, relacionadas a meio ambiente e sustentabilidade. A exposição é organizada em seções (Água, Mudanças Climáticas, Poluição e Alternativas) que privilegiam o seu objetivo de educação ambiental. A visita vale pelas fotografias tecnicamente impecáveis, tocantes, e pela curadoria precisa, sem excessos.

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Foto divulgação: Guilherme Maranhão

No MAM fica em cartaz até 29 de agosto a exposição comemorativa Dez Anos do Clube de Colecionadores de Fotografia, que apresenta todas as 55 fotos selecionadas para o Clube desde sua criação, inclusive em 2010. Ainda não visitei, pretendo passar lá nesse fim de semana, mas recomendo mesmo assim.

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O Centro Cultural São Paulo abriga até 19 de setembro a maior das exposições aqui recomendadas. A E.co – Coletivos Fotográficos Latino-Americanos e Europeus é resultado do Encuentro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, ocorrido em Madrid, em que 20 coletivos de 20 países foram convidados a produzir sobre o tema meio-ambiente. As imagens usam técnicas fotográficas diversas e diferentes tamanhos de ampliação, e o resultado é muito bom. Visitei essa exposição por acaso, estava próximo ao CCSP e resolvi entrar, tive uma bela surpresa. Algumas das fotos exibidas podem ser vistas aqui.

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Foto divulgação: Luiz Hossaka

E o MASP expõe até 3 de outubro a Coleção Pirelli/MASP de Fotografia – 18ª Edição com 70 obras de 20 fotógrafos brasileiros ou radicados no Brasil. A mostra é um recorte da Coleção Pirelli/MASP, que completa 20 anos de existência com um acervo de mais de 1000 fotografias de 300 artistas, e pode ser acessada online aqui.

Zezão – Vari Ações Urbanas agosto 6, 2010

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Como não poderia deixar de ser, o primeiro post oficial do novo lar envolve a Choque Cultural. Minha galeria preferida, responsável pela formação da carreira de tantos bons novos artistas brasileiros, e provavelmente a galeria que mais forma novos públicos para a arte contemporânea brasileira, é também a que melhor retrata a cultura das ruas paulistanas em suas exposições e acervo.

Obra de Zezão em exposição na Choque Cultural

A Choque encerra no próximo dia 7 de agosto, sábado, uma excelente exposição individual de Zezão, um de seus artistas mais conhecidos. Zezão ganhou espaço em noticiários nacionais e internacionais por suas ações de graffiti em galerias de esgoto da cidade de São Paulo. Comecei a acompanhar o seu trabalho através de seu fotolog, o viciopifdst, hoje desativado. Apesar do seu brilhante trabalho de arte urbana, digno de figurar em qualquer grande bienal de artes, confesso que, até agora, o trabalho de galeria de Zezão não me agradava muito. Na minha opinião, o transporte dos flops dos muros para as telas não funcionou bem no início, a arte de Zezão parecia não se adaptar às paredes das galerias e museus. O cenário mudou na exposição agora em cartaz, intitulada Vari Ações Urbanas.

Os seus famosos flops (ou bombs, ou tags, como preferir) azuis encontraram o suporte expositivo ideal ao serem pintados sobre retalhos de madeira e objetos encontrados nas ruas, organizados pelo artista em forma de colagem. Além disso, suas pinturas psicodélicas passam a figurar em largas chapas de aço, suas fotografias estão cada vez melhores, e as experimentações com light painting impressionam.

Logicamente, essa mudança não aconteceu de repente, mas trata-se de um processo de evolução contínua em sua carreira, que eu há tempos não acompanhava. No Flickr do artista é possível fazer uma retrospectiva dos seus trabalhos mais recentes, e entender melhor os caminhos que sua obra tem tomado.

Sei que estou avisando em cima da hora, mas gostei tanto que não queria deixar de comentar, portanto quem não poder conferir ao vivo, veja o ótimo registro da exposiçao feito pelo Lost Art: http://www.lost.art.br/zezao_vari_acoes.htm

*

E no dia 14 de agosto a Choque Cultural promove a abertura de duas novas exposições individuais que também prometem excelência: T.Freak na galeria, e Yumi Takatsuka no acervo. Para quem não conhece, T.Freak, ou Titi Freak como é mais conhecido, é um dos melhores grafiteiros em atividade e um grande pintor, responsável pela produção de belas telas. Yumi é uma artista talentosíssima cujo trabalho tive a oportunidade de conferir uma única vez na exposição Japan Pop Show na Choque Cultural, em 2008, e fiquei maravilhado. Imperdível!

Ferrugem julho 1, 2010

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Tem sido difícil atualizar o blog nos últimos tempos. Estou passando por tantas mudanças na vida pessoal e profissional que pouco tempo sobra para escrever, apesar de não faltarem temas e idéias. Sobre as mudanças, contarei tudo aqui quando for oportuno.

Queria ter falado sobre o poderoso site specific de Carlito Carvalhosa no Palácio da Aclamação,

sobre a intrigante exposição de Miguel Rio Branco na Galeria Paulo Darzé,

mas pelo menos ainda dá tempo de recomendar a sublime exposição de Waltércio Caldas no Palacete das Artes, em cartaz até 15/8.

Daqui a pouco volto com mais.

*A foto que abre esse post foi feita por mim, no feriado de São João em Vitória da Conquista (BA). Fiz algumas dezenas de cliques com minha compacta, enquanto sentia saudade dos meus tempos de reflex.

Descanso = Inspiração.

Fotos exposição MATA maio 27, 2010

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Conforme prometido, e me desculpando pela demora, algumas fotos da exposição MATA de Pedro Marighella. São poucas, mas servem para ter uma idéia e deixar vontade para não perder as próximas exibições do artista.

Exposição “MATA” de Pedro Marighella maio 5, 2010

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Em curtíssima temporada na Galeria ACBEU, em Salvador, encerra nesse sábado 08/5 a visitação à exposição MATA, do artista baiano Pedro Marighella. Na verdade uma obra única, MATA é uma ocupação gráfica em que as paredes da galeria foram cobertas por desenhos  feitos à mão com o uso de caneta marcador diretamente na parede. Não vou falar aqui sobre o tema dos desenhos, nem publicar fotos da ocupação. Não quero estragar o fator-surpresa de quem for visitar pessoalmente. Mas prometo publicar um registro fotográfico aqui na próxima semana. Por enquanto, apenas uma foto da parede de apresentação da galeria, também feito à mão.

Acompanho o trabalho de Pedro Marighella, ou simplesmente Marighella – como o chamávamos desde antes de saber da existência de seu antepassado famoso -, desde o final dos anos 1990, época em que ele desenhava quadrinhos e pintava as paredes do grêmio estudantil do colégio onde estudávamos, o ISBA. Chegamos a trabalhar em um mesmo projeto, a edição Nº 1 da Banzai Comics, HQ independente publicada em 1999 pelos amigos Magno Jacobina e Mateus Freire (hoje um engenheiro civil e um médico, respectivamente, dois talentos infelizmente afastados da criação artística) em que Marighella foi o artista convidado para ilustrar a capa e o poster, e eu fui o letrista. Seguem fotos abaixo (não possuo scanner).

Exemplar da Banzai Comics #1 com capa de Pedro Marighella

Poster de Pedro Marighella encartado na Banzai Comics #1

De lá pra cá muita coisa aconteceu. Por volta do ano 2000 deu início ao seu projeto como DJ, o SOM PEBA, em que remixa músicas do pagode elétrico baiano, ritmo ainda em ascensão naquela época. Depois começou a discotecar com velhos vinis de axé dos anos 1980 e 1990, num revival muito bem humorado, antecipando em quase 10 anos os atuais remixes e mashups de ritmos das periferias brasileiras, e a revalorização de Luiz Caldas e cia.

Tempos depois começou a administrar com alguns parceiros o Estúdio Zito, através do qual desenvolve todo tipo de ilustrações e peças gráficas sob encomenda para os mais diversos tipos de cliente, de mascote de resort de luxo até as fichas de acarajé da baiana Cira de Itapuã.

Mas sua grande empreitada mesmo é o GIA – Grupo de Interferência Ambiental, coletivo do qual faz parte e que eu considero possivelmente como o que há de melhor no atual cenário das “artes visuais” (entre aspas porque o GIA vai muito além disso) na Bahia.  Prefiro me privar de tentar explicar o GIA e não me fazer entender, e recomendo um passeio demorado pelos seguintes links:

– Blog do GIA

– Reportagem da revista Muito (2008)

– Catálogo da Fiat Mostra Brasil (2006)

Canetas

Em 2007 voltei a trabalhar com Marighella na exposição coletiva do projeto 3×4 – Circuito de Produção Cultural, na Galeria do Teatro ICEIA, onde fui curador e produtor junto a um grupo de colegas da faculdade, e Marighella foi um dos artistas convidados. Foi por volta dessa época que ele começou a fazer desenhos de grande dimensão em paredes, que pude ver pela primeira vez na coletiva Resíduo na Galeria do Conselho. A técnica consiste em usar um retroprojetor para ampliar um desenho previamente feito em papel ou transparência, e então cobrir os contornos projetados na parede com caneta tipo marcador. MATA é a sua maior obra realizada com essa técnica.

Pedro Marighella, de camiseta branca e com sua obra ao fundo, junto a alguns dos artistas da coletiva 3×4.

O que eu entendo como uma gostosa mistura de HQ agigantada e pixação comportada é o suporte que tenho visto Marighella usar em seu trabalho individual de galeria nos últimos anos. Eu adoro, apesar de, por estar sempre preocupado demais com a sustentabilidade dos artistas que admiro, ficar aflito em saber que sua existência é curta e só dura até a próxima camada de tinta, nunca podendo ir parar numa coleção ou algo parecido. Tudo bem que essa não deva ser a intenção do artista, e também nem é da minha conta, mas fico preocupado com a sustentabilidade das ações. Seria bacana ver a produção de obras como essa em dimensões menores, em suportes como telas e desenhos, por exemplo. A artista japonesa Urata Spancall faz isso muito bem, pintando telas, ilustrando em papel, ou até em objetos como calçados, sem perda (eu mesmo tenho um exemplar em casa).

Mercado à parte, a sua arte fica cada vez melhor.

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