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As Construções de Brasília janeiro 24, 2011

Posted by Jan Balanco in Artes Visuais.
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Thomaz Farkas – Dia da Inauguração (1960) / Instituto Moreira Salles

Brasília é uma cidade de extremos: Ame ou odeie. Eu amo Brasília. Em poucos lugares do Brasil me sinto tão bem quanto na capital federal. A cidade é o auge da obra de Oscar Niemeyer, um dos maiores brasileiros da história; pode ser considerada o maior museu do país em área, e fica a céu aberto; é a representação máxima dos ideais da arquitetura modernista no mundo; é uma das três mais belas capitais brasileiras, junto a Salvador e Rio de Janeiro; é a concretização de um sonho urbanístico puro, a partir da terra nua, de uma geração intelectual que propôs um novo modelo de vida em cidade, e que mesmo com os seus erros demonstrados pelo futuro, cumpre permanente o seu papel de alimentar a discussão em torno da questão urbana. Ame ou odeie, ninguém fica imune a Brasília.

A exposição As Construções de Brasília é o mais completo e interessante documento a que já tive acesso sobre a cidade. A mostra entrou em cartaz em 2010 como uma celebração do cinquentenário da cidade, e é dividida em duas partes: a primeira com 140 registros fotográficos da construção da cidade e de seus primeiros anos, além de alguns documentos, obras gráficas e um vídeo; e a segunda com 60 obras de arte moderna e contemporânea inspiradas pela cidade.

A primeira parte da exposição, além de significativamente maior que a segunda, é também muito mais interessante. A curadoria do Instituto Moreira Salles traz excelentes fotografias de três grandes fotógrafos cuja obra integra o acervo do Instituto: Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas. Algumas das fotos expostas são conhecidas por estarem a venda na loja do IMS na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, ou por estarem a mostra em livros ou no site do Instituto, mas acredito que nunca em tal quantidade e qualidade curatorial. Dentre os três fotógrafos, o francês Marcel Gautherot é o meu preferido, pelo modo como usa a luz e sombra, e os vazios, deixando ainda mais monumental as obras de Niemeyer, e lhes conferindo nova alma. A arquitetura não é o único tema de Gautherot, Scheier e Farkas, que também fotografaram os candangos, os políticos, os primeiros moradores, a vida da cidade. São impressionantes as fotos da Sacolândia – bairro assim apelidados por suas residências serem barracos construídos com sacos de cimentos vazios -, as primeiras aulas na UNB, e o dia da inauguração da cidade.

A segunda parte da exposição, apesar de não se igualar em qualidade à primeira, é de extrema importância por proporcionar um momento de reflexão crítica após o longo passeio por história, beleza e sonhos. O que pretendia Brasília? O que se tornou? Valeu a pena? Será que é mesmo uma cidade tão diferente da nossa? O que Brasília tem a nos ensinar?

Destaco a vídeo-instalação Futuro do Pretérito de Rubens Mano, que consiste em vídeos de locais da cidade, em geral edificações, feitos em quadros estáticos como fotografias. Há alguns anos atrás presenciei técnica parecida em um trabalho exposto no Museu Nacional, em Brasília. Infelizmente não recordo o nome do artista. À época, a técnica era sabiamente descrita na exposição como videografia, nomenclatura que considero perfeita, uma mistura de vídeo e fotografia. As obras nos apresentam a uma relação de tempo/espaço que confronta a imagem que se tem da cidade no senso-comum de um local de intensa atividade e “corre-corre”. O tempo em Brasília também pode passar devagar, muito devagar. É praticamente uma redescoberta da cidade.

Resta pouco tempo para conferir esa excelente exposição, que fica em cartaz até 30/1 na galeria do Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, em São Paulo. Infelizmente não é permitido fotografar na galeria, mas caso não possa visitar presencialmente, alguns dos melhores momentos estão registrados na página especial desenvolvida pelo Instituto Moreira Salles em homenagem aos 50 anos da cidade.

E se você odeia Brasília, ou se não tem interesse por arquitetura, ou se ainda não se interessa pela história do Brasil recente, considere essa como uma excelente exposição de fotografia – uma das melhores que presenciei nos últimos tempos.

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F5 março 26, 2010

Posted by Jan Balanco in Artes Visuais, Audiovisual, Música, Viagem.
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4 comments

Muito tempo sem escrever. Verão, Carnaval, muito trabalho, alguns problemas pessoais, e no meio disso tudo ainda passei um tempo sem internet em casa. Decidi produzir um post de notas para atualizar esses dias passados e retomar as publicações aqui no quaseconcreto. Devo voltar a algumas delas depois.

  • Recebi o disco de Messias, que já está disponível para venda e download no site do artista. O CD, triplo, é forte candidato a melhor disco nacional do ano. E em âmbito geral está entre o que ouvi de melhor em 2010 até agora, dividindo posição com o “Teen Dream” do Beach House.
  • Produzi no final de fevereiro pela SECULT-BA um seminário sobre economia da música. Ficamos bem satisfeitos com o resultado, montamos uma programação de apresentações muito relevantes para o setor, e quase todas inéditas na Bahia. O auditório ficou lotado de agentes dos mais diversos elos da cadeia produtiva, dos mais diversos gêneros musicais, e de vários estados brasileiros. Estamos agora adaptando o formato para um Seminário Economia do Audiovisual, a ser realizado em maio.
  • Fiz uma viagem de trabalho a Brasília, cidade que eu adoro, e fiquei hospedado num incrível apartamento no Plano Piloto, Superquadra Sul, com vista total para um jardim enorme: Lembrei da casa em que fiquei hospedado na França ano passado. Fui acompanhar a Pré Conferência Setorial de Música, para trazer de volta para Bahia um pouco do que tem sido discutido nacionalmente pela classe.
  • Tirei a sorte grande: Estreou bem na semana em que cheguei em Brasília, no CCBB-DF, a exposição “Vertigem”, d’OSGEMEOS. Falei sobre ela aqui antes, e pude visitar nas poucas horas livres que tive na cidade. Em cartaz até 16/5.
  • De Brasília precisei voar para São Paulo devido a uma urgência, e no meio de toda essa correria consegui um tempo para ficar sozinho e fui visitar a belíssima exposição de gravuras de Chagall no MASP. Um mundo de sonhos. Em cartaz até domingo 28/3.
  • Ainda passei na Ocupação Chico Science no Instituto Itaú Cultural. A exposição é muito bem concebida, e é uma boa introdução ao universo do artista. Também em cartaz até esse domingo 28/3 com uma ampla programação paralela de mostras e palestras.

Também terminei livros e HQs, assisti um monte de filmes e episódios de séries… mas isso fica para mais tarde.

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