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Eu, o LCD Soundsystem, e os últimos shows no Brasil fevereiro 23, 2011

Posted by Jan Balanco in Música.
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I was there.

Comecei a ouvir LCD Soundsystem entre 2002 e 2003, com os singles “Losing My Edge” e “Yeah”. O primeiro álbum demoraria a chegar (2005) e eu ia caçando tudo que fosse possível via Soulseek. Lembro que me tornei fã desde a primeira audição, e que não encontrava ninguém em Salvador para compartilhar do mesmo sentimento. Só em 2004 os ouvi pela primeira vez na pista, em um set do visionário djgo na saudosa Miss Modular. No ano seguinte comecei a Nave na mesma Miss Modular e começamos a propagar as músicas e remixes do LCD Soundsystem e outros artistas da DFA Records em nossas  discotecagens e mixtapes.

Desde então se apresentaram ao vivo no Brasil em três ocasiões, que não priorizei nas minhas várias viagens SSA-SP principalmente por não acreditar no potencial da banda ao vivo. Não sou muito chegado a pesquisar vídeos das bandas que gosto, e na minha imaginação as apresentações do LCD Soundsystem estariam mais para DJ sets que shows. Ledo engano, amigos conferiram o show de 2007 no Via Funchal e voltaram impressionados… Imediatamente coloquei a banda na lista de shows que gostaria de assistir.

Já morando em São Paulo, eis que o grande momento chega, mas estou desempregado e optei por não comprar ingressos e aguardar um novo show no futuro. Em 2010 James Murphy anunciou que o LCD Soundsystem ia acabar, mas como nada aconteceu depois, não acreditei. Com o recente anúncio dos últimos shows da história da banda, a acontecer nos próximos meses nos Estados Unidos, fiquei desesperado: Sem poder arcar com o custo das entradas, me inscrevi em quase 10 promoções, e como milagre consegui ganhar!

O show em São Paulo aconteceu no festival duplo Popload Gig/No Mondays!, na Warehouse, um anexo do clube Pacha, na inóspita vizinhança do CEAGESP. Nos atrasamos bastante para sair de casa e só chegamos ao local faltando 30 minutos para o início do show, que por sorte estava atrasado. Não deu tempo de ver nenhuma outra atração, apenas o LCD Soundsystem. Pra que mais que isso?

O show começou com as duas primeiras faixas do último disco, a ótima “Dance Yrself Clean” e a dispensável “Drunk Girls”. Seguiram-se cerca de 1h40 de show, com repertório bem distribuído entre os três álbuns da banda e os singles pré-2005. Foi inacreditável ver ao vivo “Get Innocuous!”, “All My Friends”, “Tribulations”, “Someone Geat”, “Losing My Edge”, e principalmente “Yeah”, a minha preferida e que considero uma das melhores músicas de toda a década 00. Em alguns momentos não conseguia dançar, apenas admirar a excelência da performance da banda. Sete músicos no palco, bateria, percussão, teclado, sintetizador, guitarra, baixo, microfone, em raros momentos na história a fusão de música de guitarras e música eletrônica foi tão natural a ponto de ser revolucionária. Em um festival ou em um teatro, a apresentação seria igualmente fantástica. Ao fim do show não senti falta de nada, o repertório foi perfeito. Só dias depois comecei a perceber a ausência de “Beat Connection”, “Watch the Tapes”, “Sound of Silver”… mas realmente não chega a ser algo que diminua a grandeza do momento, que entrou no meu top 5 de melhores shows que já vi na vida.

Lamento muito por quem não teve a oportunidade de ver o LCD Soundsystem ao vivo alguma vez. Ou por quem não conhecia no mínimo todas as músicas tocadas no show, ficou batendo papo, atualizando as redes sociais, etc. Ou por quem não acompanhou passo a passo essa revolução durante os anos 2000. Onde estava que deixou tudo isso passar?

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Último vôo da Nave maio 8, 2010

Posted by Jan Balanco in Música.
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Acontece hoje, logo mais à partir das 23h e até o amanhecer de domingo, o aniversário de 5 anos da Nave, festa que produzo e sou DJ residente desde a sua criação com meu sócio Luciano Matos, o el Cabong. Mas, além disso, essa edição da Nave provavelmente será a última. Preferimos divulgar como uma pausa, de modo a ficarmos à vontade para realização de ataques-surpresa e outras ações eventuais, mas não consigo enxergar o retorno da festa de periodicidade regular a curto prazo.

Por motivos diversos, como desgaste do formato, cansaço pessoal, saturação operacional, entre outros que abrangem até o atual momento criativo do cenário rock mundial, resolvemos que é chegada a hora de parar. A sensação é de dever cumprido: Sem modéstia nós formamos um grande público na cidade, inspiramos o surgimento de novas festas e até bandas, lançamos dezenas de novos DJs locais, trouxemos várias atrações relevantes nacionais para Salvador e levamos a bandeira da Bahia para outros estados do país, implantamos uma cultura de produção responsável na noite, etc, etc, etc. E apesar de estar já saudoso, principalmente depois da enxurrada de depoimentos emocionados que temos recebido de nosso público via blog, Twitter, Orkut e Facebook, me sinto particularmente aliviado em estar encerrando uma das minhas várias frentes de trabalho, e assim ganhando mais tempo livre para minha vida pessoal, que passa por um momento de grandes (e boas) mudanças que precisam ser melhor cuidadas.

O que me deixa angustiado é saber que vamos deixar um vazio na programação cultural da cidade. A sensação é amenizada por saber que esse vazio não se compara ao que era quando criamos a festa em maio de 2005 na finada Miss Modular: Hoje temos algumas festas pós-Nave como o Baile Esquema Novo e a TopTop, além de outras mais recentes, que com maior ou menor intensidade se assemelham de alguma forma à nossa proposta. Sei que na verdade, festa igual mesmo à Nave não tem em Salvador, mas também não podemos carregar essa responsabilidade sozinhos se ela pesa em nossos ombros. A vida continua, e a cidade é viva, deixamos um legado que decerto há de caminhar sozinho agora e abrir novas (ou as mesmas) fronteiras na noite soteropolitana.

E se a brincando de deus retornou de uma pausa de quatro anos em grande forma, podemos concluir que no futuro tudo é possível, certo?

PS: Como não podemos nunca deixar de rir, a brincadeira da vez é que a Nave está apenas seguindo a tendência de 2010: Acabar. Vide bandas como Animal Collective, Supergrass, Jay Reatard, LCD Soundsystem…

* * *

Após cinco anos consecutivos movimentando Salvador com o melhor do rock e da música pop, a festa Nave anuncia um hiato. Os produtores e DJs residentes da festa, el Cabong e Janocide, resolveram tirar férias por tempo indeterminado. Mas nada de tristeza, antes de parar eles comemoram meia década de festa com mais um aniversário inesquecível que reunirá o suprasumo dos DJs de rock e pop locais.

Um time de DJs que ajudou a escrever a história da Nave: Ramon Prates, Albarn, titamuller, camilofróes, Lolla B., Potato, e.leal, neechee, BigBross e gatoroxo. Nas pickups o melhor do indie rock, punk, glam, surf, pop, soul e electro. Doze DJs se revezando em duas pistas simultâneas por mais de seis horas de diversão.
Como tudo começou – Era uma vez, no distante ano de 2005, dois amigos que não conseguiam encontrar em sua cidade um lugar onde pudessem dançar ao som das músicas de que gostavam. Perceberam então que a única solução era criar um evento que preenchesse esse vazio. E assim nascia a Nave, a mais importante festa de rock e música pop do estado, e referência nacional em seu segmento.

Nesses 5 anos de vida noturna, a Nave marcou uma geração, criando uma opção para quem gosta de rock e de se divertir dançando, em sintonia com os melhores lançamentos de rock no mundo. A festa marcou época, ajudando a formar um público para o rock em suas mais diversas vertentes. Cresceu, se tornou um evento importante na cidade, viu gerações chegarem, curtirem e partirem, juntou casais, criou tendências, apresentou novidades e deixa um legado.

Nesses cinco anos, foram quase 60 edições oficiais e uma dezena de ataques-supresa, iniciando em 2005 na saudosa Miss Modular e sendo acolhida em definitivo pela Boomerangue. E quem não se lembra das Naves temáticas? Nave de Brinquedo, de Cinema, Bacanave, a antológica Nave Retrô se despedindo do Miss Modular, as Naves de Mulheres, entre tantas outras.

Nesse período a Nave promoveu a estréia de dezenas de DJs locais, e a circulação de DJs de todos os cantos do país e ainda da França, Inglaterra, Alemanha e Argentina. Passaram pela festa nomes como Pitty, Gabriel Thomaz, Lucio Ribeiro, Miranda, Érika Martins, entre outros. Uma festa que influenciou o surgimento de várias outras em Salvador, e inspirou também em outros estados do país.

Essa grande noite também marca uma pausa nas atividades da Nave. Pela primeira vez após 5 anos de trabalho continuado, a tripulação da festa decidiu tirar suas primeiras férias oficiais, e por período indeterminado*. Então é bom aproveitar o máximo que puder, afinal, sabe-se lá quando novamente teremos mãos pra cima, palminhas na pista e passinhos desengonçados!

*Sobre a pausa da Nave, leia o comunicado oficial em nosso site: http://festanave.wordpress.com

Serviço:

Nave – Aniversário de 5 Anos
[Rock – Pop – Electro – Parabéns – Doces – Surpresas]

DJs:
Janocide / el Cabong / Ramon Prates / Albarn
titamüller / camilofróes / Lolla B. / Batata
e.leal / neechee / BigBross / gatoroxo

08/05/2010 (Sábado)| 23h | R$ 15
Boomerangue (Rua da Paciência, 307, Rio Vermelho)
Tel: (71) 3334-5577
Classificação: 18 anos

Contato: festanave@gmail.com

Site: http://festanave.wordpress.com

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